segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Se Belém fosse Mahipa

Em Dezembro, em Mahipa, era Natal e entardecia sem que por perto qualquer sinal nos pudesse dar testemunho da data. Tempo de fome, de seca e calor asfixiante, em que a chuva tardava como uma noiva cruel, abandonando as sementeiras e o povo no altar, no desespero de uma boda por mil vezes não consumada, de uma promessa de frescura mil vezes adiada... Era Natal e o calor era irrespirável. Era Natal e ao entardecer não havia luzes nas ruas, ninguém a correr a comprar os presentes de última hora, nenhuma árvore ornamentada. Era Natal e, inquietantemente, faltava o cenário, faltava o tom que o pano de fundo imprime no estado de espírito... mas aparentemente só nós o sentíamos. Tudo o resto decorria na rotineira placidez de África. Se Jesus menino tivesse nascido em Dezembro em Moçambique, uma capulana teria bastado para o aquecer. E se Belém fosse Mahipa, em vez da vaquinha e do burrinho no estábulo, talvez uma qualquer ave do mato tivesse batido as asas num leque improvisado, oferecendo um sopro refrescante ao seu corpinho de menino... Que nestes casos a poesia da religião e o seu lado de Alice no País das Maravilhas, de fábula, magia e metáfora tem sempre forçosamente de assomar.

Mas foi precisamente aqui que a Natureza nos declarou, estridentemente, o quanto tínhamos sido injustos. Que tudo quanto o Norte faz de uma forma sistemática, asséptica e geométrica, África improvisa e encanta. E foi quando, em Mahipa, em frente à casa da Missão, o cajueiro se encheu de centenas de pirilampos, numa árvore de Natal natural erguida na noite, com mil pequenas luzes piscando.

Dra Patrícia Lopes - Médica

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Há festa em Murralelo - parte III

[...]
O tio chega, finalmente, espavorido e com lágrimas nos olhos, estava na machamba, um pouco longe dali. Ficou contente com a proposta de levar o menino para o hospital e deu o seu acordo de imediato. Num segundo tudo ficou pronto para partir, foi como se alguém tivesse ligado novamente a câmara rápida. Até o menino se tentou colocar de pé, mas foi impedido pelo próprio tio, que insistiu em carregá-lo às cavalitas. Quando chegamos, o carro já está pronto para partir porque o motorista já imaginava a gravidade da situação. O menino, surpreendentemente, depois de tomar a água com açúcar não voltou a ter outra convulsão e parece ter já outro brilho no olhar... Mas até quando? Subimos para o carro. Não há lugares sentados para todos, por isso a família vai na caixa aberta do jeep, juntamente com outros doentes que pediram para ser transportados para o hospital: uma grávida em fim de tempo, uma menina com um abcesso dentário e celulite da face e um menino desnutrido, todos com as respectivas famílias. Não podemos avançar muito rápido porque a estrada é péssima e o carro vai muito carregado. Só me apetece chorar... Subitamente vêm-me à memória as aulas de Microbiologia… Como pude ser tão auto-confiante e insistir para que o menino viesse? Aquela melhoria aparente não deve ter sido por termos tratado uma hipotética hipoglicémia, foram provavelmente as típicas “melhoras da morte” da malária cerebral! Por que fui eu dar falsas esperanças e deslocar uma família tão pobre? Para os deixar com uma dor ainda maior? Olho novamente para trás. O menino teve uma nova convulsão. Parece que não aguento mais tanta angústia... Dão-lhe mais água com açúcar e mais uma vez parece melhorar... A Irmã parece ler os meus maus pensamentos: 

– Estamos a fazer o que podemos, já não seria o primeiro doente a morrer-nos no caminho. Mas Nossa Senhora há-de nos ajudar.

Parece que as orações me acalmam um pouco. Não sei quantas vezes mais o menino teve convulsões até chegarmos ao hospital, com ele completamente inconsciente há mais de 15 minutos. Já levo a medicação programada e as contas todas feitas. Enquanto os enfermeiros lhe colocam uma via de acesso venoso, ajudo os outros doentes a descer do carro. Um dos meninos está a tremer de frio... (Arrefeceu durante o fim da tarde). Tento abraçá-lo para o aquecer, mas tem medo de mim. Claramente nunca viu uma mulher branca. Entrego o meu casaco de malha à mãe para vestir o menino, mas tenho de correr para dentro para preparar a medicação. “Meu Deus, não me falhes, se conseguimos chegar até aqui com ele vivo, não é justo que ele nos morra agora, lutou tanto...” A febre volta a subir, mas desta vez foi mais fácil arrefecê-lo e uma hora depois já está novamente fresco. 

O quinino vai correndo gota a gota, lentamente. Ainda faltam três horas para terminar a primeira dose. Quase ao fim das quatro horas abre os olhos e, pela primeira vez, volta a falar. Pergunta onde está, que lugar é aquele. O exame neurológico não mostra alterações. Estamos no bom caminho, acho que está vencida a batalha, felizmente! Ao menos valeu a pena tanto sofrimento… 

Já me posso preocupar com os outros doentes. A grávida está bem, mas é o décimo filho e ainda não há qualquer sinal do trabalho de parto. Vão ser uns dias longos por aqui... A menina do abcesso dentário e celulite da face vai começar o antibiótico e o menino desnutrido está ao colo do cozinheiro do hospital, o Sr. Manuel, que já lhe começou a preparar as soluções de recuperação nutricional, feitas segundo os preceitos da Organização Mundial de Saúde, com um toque da alta cozinha Iapalense, “uns pozinhos do Sr. Manuel”, como o próprio faz questão de dizer. 

Foi um dia rápido! Rápido demais, talvez, para digerir tudo quanto vi... Mal sabia eu que teria mesmo um curso relâmpago de inculturação no primeiro dia. Só espero terminar a minha estadia compreendendo um pouco melhor este povo. A Irmã Lurdes move-se no meio deles como peixe na água, tenho isso a meu favor, pelo menos...

Patrícia Lopes (Médica)

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Há festa em Murralelo - parte II

[...]
No final do almoço somos chamados cá fora. O professor do menino, que nos abordara antes da missa diz-nos: 
– Sabem, Irmãs, o menino que mostrei há bocado... já despediu.
Não compreendo o que diz, entendo as palavras, não o sentido, mas a Irmã Lurdes parece ter tido um choque: – Como?!
– Já despediu, Irmãs, perdeu a vida...

Que horror! Meu Deus, como é que é possível?! Mas nem sequer parecia doente... De tal forma não fiquei preocupada com ele que já só vagamente me lembrava que tinha de perguntar pelo menino antes de ir... Olhamo-nos consternadas. A face triste do menino vem-me à memória com uma angústia brutal. Nem posso acreditar, meu Deus... Tão de repente... e logo uma criança… Ocorre-me então uma pequena luz de esperança: 
– E se estiver só desmaiado outra vez? Alguém lhe viu o pulso, viram se respirava? 
O professor acena negativamente. 
– Onde é que ele está? Vamos lá agora mesmo – decidiu a Irmã Lurdes. 
– Mas é longe, Irmãs, ele está em casa.
– Vamos embora!

Com o coração completamente aos pulos lá sigo o professor, atrás da Irmã Lurdes e do Padre Filomeno. Sinto-me inteiramente responsável por esta morte, nem quero acreditar... Avançamos hors piste, a corta mato. Não há sequer um caminho por onde possa passar uma bicicleta. Chegamos por fim à casa do menino, após uma caminhada que deve ter demorado uns bons 15 minutos. A família está reunida cá fora sob o alpendre da casa, fitando o menino com um ar consternado, como se estivessem a velar um caixão. O menino deitado no chão, com a cabeça apoiada sobre os joelhos de um jovem adulto está vivo! Consciente e orientado. Suspiro de alívio. Graças a Deus! Mas está a arder em febre. Deve ter tido uma crise convulsiva e depois entrado em coma durante alguns minutos e a família pensou que tinha morrido. Tem malária cerebral de certeza! Está prostradíssimo, suado e com a tonalidade acinzentada que só se vê nas doenças mais graves. Temos de o levar para o hospital o mais rápido possível, mas sabe Deus se lá conseguirá chegar vivo... Começo a observar o menino, que no mesmo instante começa a fazer movimentos periódicos com os olhos. Vai convulsar novamente. 
– Vamos deitá-lo, que é melhor.
Durante minutos intermináveis o menino é sacudido por movimentos dos quatro membros, ante o choro manso da família. 
– Temos de o levar para o hospital o mais rápido possível, senão morre de certeza!, digo à família, mas ninguém me parece ter compreendido. Peço ao Padre Filomeno para me traduzir para macua, mas também ele permanece calado, como se nem tivesse prestado atenção. O que será que se passa? Por que é que de repente ficou tudo em câmara lenta? Por que é que ninguém se move, ninguém fala, ninguém faz nada para salvar este menino?
– O que é que se passa, Irmã, não vamos?
– Espera um pouco, não te impacientes, o pai e a mãe estão a decidir se levam ou não o menino para o hospital. 

(Terei ouvido bem?) – A decidir se o levam ou não?! Mas não sabem que o menino vai morrer de certeza se não o levarem?

– Tem calma, esta cultura é muito especial, há valores que se sobrepõem a todos os outros. Se por acaso acontece o menino morrer longe daqui, a sua alma nunca mais vai encontrar o caminho de volta, nunca poderá ser feliz na outra vida e a família vai sentir-se responsável por isso.

O menino começa novamente a convulsar e ajoelho-me para o amparar enquanto a família se coloca de pé em redor, com uma face solene. 

– Estão a dizer que os antepassados já tomaram conta do menino, já estão no corpo dele. Para eles é como se já estivesse morto...
De facto, que outra interpretação é que uma cultura que nunca teve contacto com a ciência, poderia dar a uma convulsão? Se calhar foi por isso que disseram há pouco que ele tinha morrido, quando era óbvio que ainda estava vivo. Mas assim não vai haver maneira de convencer a família de que o menino ainda pode sobreviver... Mas a Irmã continua a falar calmamente com os pais, expondo os seus argumentos, ajudada pelo Padre Filomeno. Diz que podemos tratar a doença do menino e, se ele sobreviver, os antepassados não vão entrar no corpo dele. 

Eu estou completamente fora de mim, estamos a perder um tempo precioso, já podíamos estar a chegar ao carro e o menino está com convulsões quase de cinco em cinco minutos. Os pais, por fim, dão sinal de anuimento e a mãe desaparece dentro de casa, para colocar roupa, comida e uma panela dentro de um cesto para irem para o hospital. 
– Vamos?
– Ainda não, foram chamar o tio.
– Como?! Chamar o tio para quê, se os pais já concordaram? É preciso chamar a família toda?
– Fala mais baixo, que eles podem compreender-te! Entre os macuas quem tem direito e exerce o poder paternal sobre as crianças não é o pai, mas o irmão mais velho da mãe. O pai pode dar a sua opinião, mas quem tem efectivamente o poder de decisão é o tio, e isso é incontornável.

Mais uma convulsão. A situação é crítica, mas temos de tentar mantê-lo vivo até chegarmos ao hospital. Só então começo a raciocinar em termos médicos, vamos arrefecê-lo, dar-lhe paracetamol e cloroquina. Nada disto vai resolver o problema, mas pode ser que o ajude a não piorar. Outra causa tratável de convulsão é a hipoglicémia, que é muito frequente na malária maligna. Vamos dar-lhe água com açúcar.
A família olha-me, consternada:
– Não temos açúcar, Irmã.

Meu Deus, como é possível uma pobreza a este ponto? O que é que eu estou aqui a fazer, no meio de uma cultura que não conheço e não compreendo e ainda por cima com a fantasia de que consigo tratar alguém sem meios nenhuns... Procuro na carteira, esperançada de encontrar algum pacote esquecido de um café de Lisboa e, de facto, lá encontro alguns pacotes de açúcar, que coloco num copo de água que me trazem. [...]

Patrícia Lopes (Médica)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Juntem-se a mim. É preciso mais Voluntários

Sai sai owani? Sàlama appathani aka.

Olá amigos
Venho contar-vos a história de 3 doentes de lepra que já concluíram o tratamento mas a quem a doença deixou marcas para toda a vida. 

O distrito de Nampula /Rapale, onde trabalho, é um pouco diferente dos demais distritos que o rodeiam. Aqui os doentes, com quem trabalho e que se têm deslocado aos locais de concentração, são na sua maioria doentes de lepra em tratamento ou doentes suspeitos. Por vezes, aparecem doentes antigos de lepra que apresentam novas manchas ou reacções lepróticas, iniciando, neste caso, outra medicação mais específica, mas a maioria dos doentes não vem ao meu encontro apenas porque é doente antigo de lepra, como pude observar nos locais das concentrações do Ricardo.

Mas durante as minhas actividades já comecei a encontrar-me com estas pessoas e, de acordo com as suas necessidades, relacionadas com as suas mutilações, tento dar a melhor resposta que me seja possível. Assim aconteceu um dia no Centro de Saúde (C.S.) da Namaíta em que, por outra razão, foi pedida a comparência de alguns doentes antigos de lepra daquele local. O voluntário fez a mobilização e eu conheci a D. Amina Pagela, o Sr. Silvestre Amade e a D. Maria Cotopola. A todos a lepra deixou sequelas profundas: mutilações nos pés e mãos, e a uma delas muito marcada. De imediato, me dei a conhecer e conversámos um pouco em makua e português. Vi que precisavam da ajuda da APARF, ou não fosse para eles que eu aqui me encontro. Marquei com o voluntário uma data e ele comunicou a estes 3 doentes que vieram ao meu encontro no dia 20 de Setembro de 2007, na palhota de um deles, junto ao C. S. da Namaíta.
Então nesse dia lá estavam à minha espera e com sorrisos nos lábios. Cumprimentámo-nos e voltei a dar a conhecer a APARF e o meu trabalho neste distrito em favor dos doentes de lepra, em seu favor. Em conversa, soube que eles, em especial o Sr. Silvestre, conheceram e viveram junto da Irª Maria Rita Valente-Perfeito, da Irª Sacre Coeur e da Irª Clara e lembram--se bem de como foi viver na época da guerra em Moçambique. Falaram-me das dificuldades que viveram, da ajuda preciosa que estas irmãs deram a quem vivia nesta área e do trabalho que as Irmãs faziam com os leprosos. Quando os informei que a Irª Maria Rita vivia agora em Portugal, que colabora com a APARF, ficaram radiantes em saber. Mandam cumprimentos e abraços e um grande “koxukhuru vanjene” (muito obrigado!) às Irmãs, em especial à Irª Maria Rita, com quem conviveram mais.

Bem mas eu não estive só a conversar com eles. Também levava no carro da APARF, algo que lhes era muito útil: sapatos, mantas, roupa, sabão e sal. Foi distribuído a cada um deles, conforme as suas necessidades e mutilações, calçado adequado. Ficam “otteliwa murima vanjene” (muito felizes) com os sapatos novos. 

Dos três, a D. Amina Pagela é a que apresenta mais mutilações. As mãos perderam todos os dedos e os pés também, apenas ficaram uns cotos que ela reaprendeu a utilizar na sua vida diária. Ela é a que vive mais perto do C. S. da Namaíta e vive com a filha e 5 netos todos ainda pequenos. Quando recebeu o saco com o que a APARF lhe ofereceu agradeceu-me com um tímido “obrigado” em português e com os olhos a esconder uma lágrima, que me deixou muito sensibilizada e feliz por estar aqui, na Namaíta, em Moçambique, a ajudar quem mais precisa e a viver o que eu sempre desejei: uma experiência junto dos mais necessitados e esquecidos de todos. Neste local são os leprosos e é para eles, em especial, que eu aqui estou.

Depois de 11 meses de experiência nestas terras de Nampula, muito tenho de vos contar, pois o que vivi e vivo todos os dias não dá para descrever num pequeno texto como este… Tenho aprendido muito sobre a doença de lepra. Tenho aprendido muito sobre a cultura local. Tenho aprendido alguma coisa sobre a língua makua! Tenho aprendido muito com os leprosos. E é para eles que eu aqui me encontro e foi para eles que trabalhei estes meses que passaram.

Tive o privilégio e a sorte de não estar só, pois tive e senti sempre o vosso apoio através de cartas, telefonemas, e-mails, mensagens, visitas, … mas também o apoio de todos aqueles que aqui me rodearam e rodeiam todos os dias. Mas, também, durante estes meses, tive a companhia do Ricardo, que me ajudou, apoiou e acompanhou durante as minhas actividades aqui. Ter alguém perto de nós que vem da mesma Associação, tem a mesma cultura, o mesmo espírito, partilha os mesmos ideais, a mesma idade, a mesma experiência, … é um grande apoio, no início, quando se chega a um local novo e onde não se conhece ninguém. Depois com o passar do tempo, é alguém com quem desabafar, partilhar o dia a dia do trabalho com os doentes de lepra e o partilhar ideias e actividades para benefício destes. Foi, neste espírito, e para aumentar também a minha visão acerca dos doentes de lepra, que acompanhei o Ricardo durante uma semana nas suas visitas aos leprosos no “seu distrito de Murrupula”. 

 Vimos muitos doentes com sarna, casos suspeitos de lepra e casos antigos… visitámos novos locais de concentração, onde não é possível chegar todos os meses, devido às condições atmosféricas,… acompanhei o dia a dia do Ricardo, que distribuiu sabão, medicamentos, roupa, palavras de incentivo e motivação aos doentes e voluntários…  posso dizer que também colaborei, com o Ricardo e os seus doentes, fazendo alguns pensos e observando alguns doentes que padeciam de “outras lepras”…
Os doentes que aparecem nas concentrações são também muitos doentes antigos de lepra, que já concluíram o seu tratamento. Este distrito estava considerado como endémico no ano de 2006 mas este ano é o distrito de Nampula / Rapale, onde eu trabalho, que tem o maior número de casos de lepra. Isto não significa que a lepra acabou em Murrupula ou nos outros distritos da Província de Nampula, pois ainda existem muitos doentes como pude ver e saber, acompanhando o Ricardo. Estes doentes irão sempre precisar de ajuda, ora de sal, sabão, calçado, mantas, roupa, medicamentos para feridas, para a sarna, pomadas oftálmicas, … e o Ricardo tenta fazer o que de melhor pode para minimizar as suas “preocupações”. 

Todos os dias aprendemos coisas novas e foi com o Ricardo que comecei a descobrir a problemática da sarna, que também existe no “meu distrito”. Esta doença não está tão disseminada aqui onde me encontro, pois o distrito de Nampula / Rapale envolve a área rural da cidade de Nampula. Logo são zonas mais próximas dos grandes hospitais da cidade, teoricamente dos cuidados de saúde. Mas na prática, há locais que eu também visito e alguns deles ficam nas periferias com os distritos vizinhos, onde observo muita sarna. Foi graças à “famosa pomada caseira da Missão de Murrupula”, cujos conhecimentos já vieram de outros voluntários, que pude também dar uso a esse medicamento tão eficaz para esta doença. 

A semana que acompanhei o Ricardo veio aumentar a minha visão sobre os doentes de lepra e confirmar o que eu já sabia: muito falta ainda a fazer nestes locais, ora seja em Nampula, ora em Murrupula, ora nos outros distritos da Província de Nampula e restantes de Moçambique. É preciso que mais voluntários venham para estas terras, para que juntos possamos ajudar estes doentes que tanto precisam e que tanto oferecem também.

Caros amigos, antes de me despedir quero aqui deixar um “koxukhuru vanjene” (muito obrigado) a todos os que, em especial durante este ano de 2007, me ajudaram e apoiaram aqui em Nampula; e um “koxukhuru vanjene” a todos os amigos da APARF, os amigos dos leprosos, que possibilitaram a minha estadia aqui… mas espero que continuem a apoiar pois eu irei a Portugal no mês de Dezembro de 2007 mas voltarei para continuar o meu muteko (trabalho) junto dos doentes de lepra, dos que considero “meus doentes”! 

Feliz Natal e Feliz Ano Novo  Mpakha nihiku nikina

Da vossa amiga Vanda
(Voluntária da APARF)