sexta-feira, 2 de março de 2018

Missão de Ocua

Caros amigos da Aparf,

Quando efectuamos as visitas pelas comunidades vêm até nós várias pessoas, não só as que têm lepra, mas com todos os tipos de doenças, desde malária… claro que é para nós muito complicado e difícil dar assistência a todo um povo, mas não é uma situação que nos fica indiferente e vamos tentando fazer o melhor possível levando alguns medicamentos, sabão, e algumas palavras de esperança.

Temos tentado chegar ao maior número de comunidades possível, mas por vezes repletos de buracos que parecem autênticas crateras. Por isso muitas vezes, sempre que existe um centro de saúde perto, nos aconselhamos a irem lá.

Em algumas zonas, que são consideradas como sede, existem pequenos centros de saúde, assim os chamam! Têm tudo menos aspecto disso, a falta de medicamentos, de condições e de higiene fazem destes centros mais um posto de contágio de doenças do que de tratamento de doentes.

Ao visitarmos um destes centros e uma maternidade deparámos que se encontrava encerrado. Era sábado, mas curiosamente com as portas e janelas abertas.

Entrámos. Não se encontrava ninguém lá dentro. Deparámos imediatamente com um cheiro insuportável. Ao olharmos à nossa volta vimos a falta de higiene que tinha aquele local; o chão, as paredes e os materiais completamente sujos sem o mínimo de cuidado, parecia abandonado, e no entanto funciona “normalmente” durante a semana…

Partilho com vocês duas questões que me surgiram ao visitar este local: primeiro, como é possível tratar doentes num centro que se encontra assim? E em segundo, será que aqui não nascem crianças ao sábado? ...

Esta é a realidade de um povo que nasce, cresce e morre esquecido, sem o mínimo de assistência.

Sandra Figueiredo
(Voluntária APARF)

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